terça-feira, novembro 22, 2005

Fligthplan - Pânico a Bordo


Sinopse
: Já começa a tornar-se habitual ver Jodie Foster em pânico. Desta vez o cenário é um pouco diferente. A 40,000 pés de altitude, Kyle Pratt ( Jodie Foster), recém viuva, viaja com a filha de 6 anos num avião que ela própria ajudou a construir. Tudo corre bem até que a menina desaparece. O mistério adensa-se quando ninguém se recorda de a ter visto, questionando-se até se ela alguma vez chegou a embarcar. Sozinha e tentanto provar a sua sanidade ao resto da tripulação ( e a si própria), Kyle tenta desesperadamente encontrar a pequena Julia Pratt.

Fasten your seat belts...this lady is about to take off....



Foi com alguma ansiedade e entusiasmo que aguardei o dia em que fui testemunhar o regresso ao ecrã desta grande senhora. Igual a si própria e com o talento a que já nos habituou, Jodie brilha neste filme com um toque "hitchcockiano".

O filme começa bem, de uma forma misteriosa e sofrida, contribuindo para tal a quase ausência de diálogos durante os momentos iniciais em que somos apresentados à personagem principal e tomamos conhecimento da difícil crise pessoal que atravessa - a morte inesperada do seu marido. Mais do que de qualquer outra intenção, estas notas introdutórias pretendem dar conta do estado emocional de uma mulher que continua a sentir o marido como parte integrante da sua realidade.

É de facto uma pena que, apesar de um começo que tira o melhor partido das capacidades dramáticas de Jodie Foster, nomeadamente da incrível expressividade da sua face, acabe por tomar o caminho da banalidade. A forma como são exploradas as reacções dos restantes passageiros face ao desaparecimento da pequena Julia é muito previsível e "à la blockbuster". Atinge picos de banalidade com o apontar do dedo a um passageiro árabe e o aplauso colectivo ao polícia que algema Kyle Pratt.

Ainda assim, um dos pontos positivos do filme é o de levar os espectadores a magicar mil e uma soluções para o quebra-cabeças que nos é apresentado. Como é possível uma criança, literalmente, desaparecer no ar?

*** BEGIN SPOILER (se quiser ler, seleccione o texto) ***

No entanto, até neste ponto o filme quase resvala. A tripulação, com base em informação forjada, chega a concluir que a criança morreu juntamente com o pai e a dor de Kyle impede-a de aceitar a verdade. Terá sido uma falha dos argumentistas revelar, por intermédio de uma das hospedeiras, a existência de apenas um caixão no porão ou um isco para os mais astutos?

*** END SPOILER ***

As interpretações de Sean Bean (o comandante), de Peter Sarsgaard (o marshall do voo) e dos actores que constituem a restante tripulação cumprem a sua função. Por um lado, adensar o mistério através das informações que vão fornecendo. Por outro lado, fazer crescer no espectador um sentimento de empatia para com a personagem de Foster, resultante de uma atitude colectiva de indiferença e descrença perante o desaparecimento da criança.

Contudo, FlightPlan é um filme quase exclusivamente carregado em ombro pela actriz principal. Por trás da mulher instável e fragilizada, esconde-se uma lutadora inteligente que fará tudo para reencontrar a sua filha. E nisso ela é absolutamente credível. Aliás, esse misto de dureza e fragilidade tem estado várias vezes presente na carreira de Foster, desde a personagem de Clarisse em “Silêncio dos Inocentes” a “Panic Room”, sendo que a mais valia do filme reside precisamente na sua interpretação.


terça-feira, setembro 20, 2005

"Wedding Crashers" - Salve, Aleluia! Temos Comédia!




SINOPSE : Dois tipos já não tão novitos dão continuidade, ano após ano, a um estranho hobby: irem a casamentos sem serem convidados para engatar gajas.
It's wedding season....

Confesso que estava curiosa, caso contrário não teria dado o dinheiro pelo bilhete, mas algo reticente. Não é o género de filme que normalmente me leva a arrotar 5 euros. Assim sendo, quando a sessão iniciou comecei a ouvir a vozinha que me dizia "não é bom deitar dinheiro à rua?".

Mas eis que sucedeu algo para o qual não estava de todo preparada: uma comédia inteligente, repleta de palavrões nos momentos certos (de que gostei particularmente :P) , visualmente vistosa e - obrigado, senhor! - bem escrita! Mais: com ritmo, balanço e swing. O trabalho de montagem está muito bom, intercalando o lado mais romântico do filme que tem como fundo as personagens de Owen Wilson (que dispensa apresentações!) e Rachael Mcadams (The Notebook - O Diário da Nossa Paixão), com o desvario total que é a prestação de Vince Vaughn, co-adjuvado por Isla Fisher (a única coisa que sei da mocita é que para além de me ter proporcionado umas belas gargalhadas é noiva do comediante britânico Sacha Baron Cohen, mais conhecido por Ali G). Se estamos num momento do filme em que somos levados a entrar em romantic mode, nem o romantic mode é demasiado lamechas nem temos tempo suficiente para achar que o é. Entramos de carreirinha em crazy mode - courtesy of Mr. Vince Vaughn.


Mazeltov, baby!


As personagens secundárias cumprem a missão de acentuar a loucura geral sem, contudo, nenhuma sobressair, exceptuando a supracitada Isla Fisher. Enfim, o ideal para se conseguir produzir uma comédia bem conseguida, cheia de verdadeiras pérolas e cenas preciosas que vão desde o apalpanço das mamas da Jane Seymour por parte da personagem de Owen Wilson, a Vince Vaughn levar uma "chumbada" no rabiosque no lugar de uma incauta perdiz.

O que me leva de novo a Mr. V. V. ... Se houve uma decisão de casting que acertou na mouche foi a de incluir este homem no filme. Quem viu "Be Cool" com John Travolta e Uma Thurman não ficou de certeza indiferente à personagem de um produtor musical de meia tigela que julga que é preto, usando o vocabulário e vestindo-se como um rapper ultra piroso. Se essa personagem era hilariante, em "Wedding Crashers" Vince Vaughn supera-se, rebenta a escala, vai a Marte e volta. Rendo-me ao seu imenso talento ( e altura não lhe falta, cerca de 1m90) , pronto, sou fã! Whos's the man? Vince is !

Ao sair da sala dei por mim a pensar que já há algum tempo não dava 5 euros por tão bem empregues. Rir às gargalhadas até chorar e ter dores de barriga é preciso, lava a alma, eleva o espírito e ainda estão para me provar se não faz bem ao colesterol...


Let's go hunting!

P.S. - Agradecimentos à Electra pela escolha das fotos - fico à espera de um post teu! The ball is in your court now, biiiiitch! LOL