[Banda sonora do post: --------- silence is golden!]
Cheguei à "profunda" conclusão de que sou um cliché. E eis o primeiro cliché: o facto de ocupar este espaço a dizer isso mesmo. Abraço esta falta de originalidade com todo o vigor: sou mediana e infeliz, graças a Deus. Não, a Deus não. Recuso-me a dar crédito a Nosso Senhor uma vez que ele não me põe a mão por baixo - só ao menino e ao borracho e eu não sou uma coisa nem outra.
Na verdade, tenha a certeza que sou mediana mas não estou tão certa de ser infeliz, ou seja: suponho que sou feliz, na generalidade, com o meu medianismo. Contento-me com o sentir-me descontente como boa portuguesinha (não podem faltar os diminutivos, claro!) que sou.
E com esta me fico, após mais de um ano de silêncio. A culpa é toda da Senhora Doutora :-) ...
P.S.- Não sei porquê mas a data do post está errada. Correcta: 04/12/08.
Fico sempre estupefacta quando em época de vacas magras, para todas e para todos, se gasta tanto dinheiro em campanhas que, pondo as coisas de um modo simpático, não ajudam a alterar a ponta de um corno. A constatação deste facto prova, pelo menos, duas coisas:
a) Como sou ingénua e as vacas magras são só para o rebanho; b) A facilidade com que se desdramatizam situações que deveriam ser tratadas com menos subtileza na mensagem ou, caso se deseje ser subtil, que o resultado final fosse, no mínimo, demostrativo de algum esforço intelectual.
Dito isto, alguém se lembra da última campanha (2006/2007) contra a violência doméstica? Se sim, como é que conseguiram reter tal coisa na memória? Não deve ter sido pelo spot televisivo nem pela escassa visibilidade dos cartazes produzidos... Se calhar lembram-se do actor,carinha laroca muito em voga em diferentes novelas de diferentes canais. Ora vejam lá a representação gráfica de uma campanha que não serviu para nada.
Hummm... pelo menos o fundo é vermelho, sempre pensamos na porrada que tantas desgraçadas apanham. De resto, é um cartaz perfeitamente banal, sem ponta de originalidade, incapaz de agarrar as pessoas e captar a sua atenção. Vejamos agora um cartaz da Amnistia Internacional, Secção Francesa, no âmbito da sua campanha contra a violência doméstica.
Uma sombra azul e o texto "Le seule bleu tolérable sur la visage d'une femme". Subtil o suficiente, sem recurso a qualquer elemento-choque, inteligente. Toda a gente percebe o significado simbólico daquela cor a não ser que seja completamente idiota, mas talvez os idiotas não tenham culpa de o ser. Gosto mas há melhor, exemplos mais (ou menos!) subtis e extremamente bem conseguidos, que com toda a certeza servem de forma brilhante esta causa. O assunto é demasiado sério para campanhas light bem "lavadinhas".
Seguem-se três exemplos (três spots) em baixo: o primeiro é da UNIFEM Australia e os restantes são também da Amnistia Internacional.
Eh pá, acho que depois disto "não se cale, denuncie" ou "não insulte, não humilhe" tem um impacto do caraças, não é? Ufa, até preciso de um momento de reflexão. Com licença, vou à casa-de-banho.
P.S.- Se quiserem ter acesso a mais campanhas sobre este tema, entre outros, podem fazê-lo aqui.
[Banda Sonora do post: "I Love Paris", Ella Fitzgerald]
Revisitei Paris na Páscoa. Primeira observação: não visitem Paris na Páscoa; pela vossa saúde mental, escolham outra altura do ano pois a cidade é literalmente invadida a galope por milhares de turistas do mundo inteiro, sendo que alguns deles têm a estranha mania de fazer festinhas aos bustos que fazem parte da decoração do Palácio de Versailles. E porquê? We just don't know...
Segunda observação: sim, continua linda mas com grandes dificuldades em adaptar-se à realidade desta nova Europa, multi-cultural e multi-racial. Não é apanágio seu mas é bem mais evidente do que pensava. Paris vai formosa e não segura, com os seus gendarmes com colete à prova de balas. O reforço do policiamento não é com certeza alheio à febre das eleições presidencias e ao "duelo" Sarko/Sego mas, ainda assim, metralhadoras ao pé da Torre Eiffel não será um pouquinho demais?
Esquecendo tudo isto ( e o Metro que precisa de reformas urgentes, putain!), Paris continua a contagiar-me, a emocionar-me e a fazer-me sonhar, desta feita um sonho de adulta (na medida do possível :P)que, qui sait, poderá tomar contornos realistas. Um dia destes...
[Banda Sonora do post: "I don't like Mondays", Tori Amos]
«The Boomtown Rats were at a US radio station for an interview when the story of Brenda Spencer came over the news wire. The 16 year old California high school student made headlines when she grabbed her father's gun and opened fire on her school from a house across the street, injuring eight students and killing the school's principal and custodian. When later asked why she'd gone on the shooting spree, she responded "I don't like Mondays."»
(in http://www.80smusiclyrics.com/artists/boomtownrats.htm).
I Don't Like Mondays
[Original dos Boomtown Rats]
The silicon chip inside her head gets switched to overload and nobody's gonna go to school today she's gonna make them stay at home And Daddy doesn't understand it He always said she was good as gold And he can see no reason Cos there are no reasons What reasons do you need to be shown
[Chorus:] Tell me why I don't like Mondays I want to shoot The whole day down
The telex machine is kept so clean and it types to waiting world. And Mother feels so shocked Father's world is rocked And their thoughts turn to Their own little girl Sweet 16 ain't that peachy keen No it ain't so neat to admit defeat, They can see no reasons Cos there are no reasons What reasons do you need to be shown
All the playing's stopped in the playground now She wants to play with her toys awhile And school's out early and soon we'll be learning That the lesson today is how to die And then the bullhorn crackles And the captain tackles With the problems and the how's and why's And he can see no reasons Cos there are no reasons What reasons do you need to die